sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Você faz uso do seu direito democrático?


O texto abaixo foi feito por mim para um trabalho de sociologia. Não gosto muito de publicar meus textos, por acreditar que eles não são bons o suficiente para serem lidos... PORÉM, minha professora me incentivou e eu resolvi me arriscar. O texto fala sobre direito democrático, mas especificamente sobre se meus conterrâneos fazem uso do seu. É uma reflexão. Quem ficar curioso e quiser ler é só clicar em 'leia mais'. 

Por Cássia C. Depetris

DEMOCRACIA: IGUALDADE, LIBERDADE

Introdução

No dicionário, a palavra democracia tem a seguinte definição: regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo). Ou seja, lemos nas entrelinhas que o povo é quem detém o poder em suas mãos. Do uso da palavra democracia, deriva o termo direito democrático, que nada mais é que o direito que uma pessoa tem de exercer a democracia através da escolhas do seu representante. Você já se perguntou se você faz uso do seu direito democrático? Será que mais especificamente o cidadão cerroazulense tem feito o uso desse direito? É isso que esse trabalho busca responder. 

Cabresto Frouxo

Em Cerro Azul, os cidadãos dividem-se em dois grupos distintos quando se fala em política: o primeiro, menor, formado por poucas pessoas que realmente pensam antes de votar e tem dentro de si o desejo de mudança; e um segundo, formado pela grande maioria, que vota por camaradagem, por ter uma relação com o candidato e pelo bem de si mesmo.

Eu não acho que o cidadão cerroazulense faz uso do seu direito democrático. Não mesmo. Me apropriando em parte da expressão usada para descrever os eleitores que eram controlados pelos coronéis durante a República Velha, ouso dizer que o povo de Cerro Azul (excluído o primeiro grupo citado acima) vive  preso num cabresto. Em um cabresto frouxo, já que ele toma a decisão por si mesmo, mas mesmo assim em um cabresto. O que o eleitor faz não se sabe se por vontade própria ou inconscientemente, é ser levado pela maré. Ser levado pela maré no sentido de não sentar e parar para pensar na escolha que está fazendo ou no candidato que está votando, e sim no que a maioria das pessoas está achando.

Aquilo que os críticos marxistas dizem sobre a as eleições gerais representarem uma falsa igualdade é o que acontece em Cerro Azul. Aqui, as eleições são realmente controladas pela classe dominante – ou seria melhor dizer pelo candidato mais simpático dominante? – que tem a maioria da população em suas mãos.

Quer ser prefeito ou ter qualquer outro cargo político em Cerro Azul? Aí vai a receitinha:

Pegue uma pessoa (qualquer uma serve) e misture com um sorriso simpático (não precisa ser sincero). Adicione aos poucos visitas ocasionais a casas de eleitores, chimarrão com os vizinhos, cumprimentos calorosos num encontro e acenos a qualquer coisa que se mova na rua. Adicione falsa preocupação com o problema do próximo, promessas infinitas e um pouco de compra de votos para dar liga. Trabalhe o esquema durante alguns meses antes da eleição e colha os frutos. Rende uma porção de 4 anos de mordomias, boa vida e dinheiro livre praticamente sem esforço.

Tá, tudo bem, eu admito que soei um pouco cruel no parágrafo acima, mas você também tem de admitir que estou em parte certa. Sei que não posso generalizar nossa administração política como sendo ruim nem dizer que todos os políticos são maus, mas eu tenho essa impressão. Porque isso acontece? E porque os Misteres Simpatia estão, na maior parte do tempo, no poder? Isso – me desculpe – eu não sei responder. Não tenho a receita. Bom, eu suponho que talvez as pessoas tenham preguiça de fazer uso do seu poder de voto, analisando pouco a situação e escolhendo seu representante a esmo. Talvez elas nem mesmo se dêem conta do poder que tem, o poder de fazer a mudança acontecer. Talvez o eleitor possa pensar ‘mas meu voto é só um voto, que diferença faz?’ Sim, um voto apenas não faz diferença, o que faz a diferença é a quantidade de pessoas tendo o mesmo pensamento que ele.


Conclusão

O texto acima é apenas a ponta do iceberg no que diz respeito à política e ao direito democrático. O assunto em si é bastante complexo e deve ser analisado mais a fundo, a fim de compreendê-lo melhor e debater sobre ele. A solução definitiva para o uso completo do direito democrático está longe de ser encontrada. Sempre haverá escândalos e compra de votos na política, e combater esse esquema envolve um looongo caminho. No entanto, eu acredito que o pontapé inicial para o fim dessa vergonha seja a informação e a análise dos fatos por meio do eleitor. As pessoas devem ser mais críticas em relação à política, analisando suas opções e pesquisando o passado do candidato; porque se paramos para pensar o político é nosso representante. Como você quer parecer diante da sociedade? Justo, honesto, preocupado com a população ou capaz de tudo e mais um pouco por dinheiro? 

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